Comunicado
"Incêndios no Algarve"
No passado mês de Julho vários concelhos do Algarve foram palco de mais uma voraz onda de incêndios que vitimou cerca de 50 mil hectares de terrenos agrícolas e florestas de propriedade privada, desmembrando a já débil e delicada situação económico-social dos milhares de cidadãos afectados, aos quais manifestamos a nossa solidariedade;
Apesar do envelope financeiro que o governo decidiu atribuir, esperávamos medidas mais incisivas que de uma forma consistente e duradoura salvaguardassem o sustento dos lesados e lançassem um bem estruturado e ambicioso programa de reflorestação e reposição das culturas afectadas que pudesse minimizar, no mais curto espaço de tempo, o efeito aniquilador da catástrofe. Neste particular, subscrevemos a didáctica defendida pelo Presidente da Área Metropolitana do Algarve, Engº Macário Correia, que considerou insubstituível a declaração de calamidade pública no sentido de produzir efectividade e amplitude aos diplomas aprovados pelo Conselho de Ministros. Além do mais, esta declaração poderia fornecer, à imagem do sucedido no ano transacto, um expressivo apoio da União Europeia que estas populações não podem de modo algum negligenciar;
Este Algarve não pode continuar a arder, sob pena da desertificação avançar, a nossa diversidade e complementaridade perecer e padecermos duma grave enfermidade económica, social e ambiental. Temos de combater a impunidade destes acontecimentos e zelar para que os meios e a coordenação não faltem, sejam accionados de modo correcto e atempado, organizando, se necessário uma Corporação de Bombeiros Regional afectando-lhe os instrumentos necessários e suficientes para prevenir e vencer estas adversidades;
Apelamos a todos os que têm responsabilidades políticas no sentido de não esmorecer no seu esforço para que estes trágicos acontecimentos se repitam, defendendo intransigentemente o interesse do Algarve e dos Algarvios.
Faro, 12 de Agosto de 2004
Cristóvão Norte
Presidente da Distrital da JSD/Algarve