COLÓQUIO/DEBATE
A SECA NO ALGARVE - CONSEQUÊNCIAS E MEDIDAS MINIMIZADORAS
IMAGENS
A JSD/Algarve organizou no
dia 20 de Maio (6ª feira), no Auditório da Biblioteca Municipal de Faro, um
Colóquio/Debate subordinado ao tema “A Seca no Algarve - Consequências e medidas
minimizadoras” que contou com mais de meia centena de participantes.
Após a apresentação da mesa de convidados, que era composta pelo Engº Bruno Lage (moderador do debate e dirigente da JSD/Algarve), pelo Eng.º Macário
Correia (presidente da AMAL), pelo Eng.º Carlos Cabrita (representante da
associação Almargem), pelo Eng.º João Entrudo (presidente da Associação de
Jovens Agricultores do Distrito de Faro) e pelo Prof. Doutor Nuno Loureiro
(docente na Universidade do Algarve), o referido professor iniciou a
apresentação de uma comunicação introdutória ao tema da Seca.
Durante os 60 minutos que durou a conferência
apresentada pelo Prof. Doutor Nuno Loureiro, foram descritas as características
meteorológicas e os seus ciclos na região algarvia e foi referido que o fenómeno
da Seca, não é novo no Algarve. No entanto está a ser o período de seca mais
intenso desde 1940 e segundo alguns dados apresentados, tem-se verificado
sistematicamente um decréscimo na precipitação algarvia de cerca de 2 mm/ano.
De forma a combater os prejuízos causados por estes períodos de menos
pluviosidade, torna-se fundamental criar um Observatório Regional da Seca, que
efectue uma análise histórica dos fenómenos meteorológicos da região e se
proceda ao seu acompanhamento. De igual forma, este Observatório deverá
identificar as áreas e os grupos de população que são mais afectados
directamente por este fenómeno, promovendo posteriormente medidas objectivas,
que resultem em efeitos práticos para a recuperação ambiental, económica e
social das áreas afectadas.
Ainda segundo o Prof. Doutor Nuno Loureiro, chove em
média no Algarve, por ano, 3,4 mil milhões de m3 e as barragens existentes na
região, têm capacidade de armazenar 2,9 mil milhões de m3 de água. Este
conferêncista ainda esclareceu que, com a introdução de sistemas economizadores
de água, com boas e fortes campanhas de sensibilização de poupança de água, com
a reparação de algumas das inúmeras perdas nas condutas e com a diminuição do
desperdício público deste líquido precioso, é possível poupar 30,4 milhões de m3
de água por ano só no Algarve. Como todos nós sabemos, o Algarve tem uma
população flutuante muito grande e verifica-se que os maiores consumos de água
ocorrem nos meses de Julho e Agosto. No Algarve, 113 milhões de m3 de água são
gastos na agricultura, 72 milhões são gastos no Consumo Urbano e 15 milhões são
gastos nos Campos de Golfe da região.
Por fim, em tom de crítica e apesar de ter apresentado e explicado as grandes
medidas para poupar água, o conferencista disse que estas medidas para a
poupança de água já estavam todas identificadas e descritas no Programa Nacional
para o uso eficiente da água que foi elaborado há quase 1 século!!!
João Entrudo considerou fundamental a atribuição de
subsídios ou outro tipo de apoio similar aos pequenos agricultores da região que
estão a atravessar sérios problemas. Para o futuro e de forma a minimizar os
prejuízos causados por episódios de seca, torna-se fundamental utilizar a água
das ETARs para a rega dos Campos de Golfe e mesmo para alguns campos agrícolas.
Este orador ainda fez referência à necessidade da construção imediata da
barragem de Odelouca e que se deve começar a usar dois tipos de água, isto é, a
água de boa qualidade deve ser unicamente usada para consumo humano e a água de
pouca qualidade (mas de boa qualidade para rega), deve ser utilizada nos campos
agrícolas, jardins públicos e campos de golfe, numa alusão ao facto do Algarve
ter água em quantidade, mas não em qualidade.
Por fim o Eng.º Macário Correia, presidente da AMAL, fez referencia à qualidade
da água no Algarve que aumentou substancialmente nos últimos anos, dando o
exemplo que antigamente, um tubo de transporte de água perdia em 10 anos, mais
de metade do seu diâmetro com deposições calcárias, coisa que actualmente não
acontece, bem como aos parâmetros que são analisados na água, que antigamente
eram 4 e agora são mais de 60. Fez alusão às perdas de água na ordem dos 40% nas
condutas de transporte, mencionando que é muito difícil detectar algumas fugas
nas cidades mais junto do litoral, em virtude de muitas destas condutas se
encontrarem submersas durante a maré cheia, inviabilizando assim a detecção das
referidas fugas, mas que se está a começar a utilizar métodos electrónicos para
essa detecção, mas têm o problema de representarem custos muito elevados.
Quanto à Barragem de Odelouca, o presidente da AMAL
também concordou que a sua construção é fundamental, dizendo que apesar de ser
amigo do ambiente e ter ajudado a criar muitas associações ambientalistas,
considera que os argumentos a favor da construção da referida barragem são
muitos maiores que os argumentos contra. Macário Correia disse ainda, que apesar
de este ano, o Algarve ter capacidade de resposta para a Seca que assola a
região, se esta situação persistir, será necessário recorrer a outras soluções
que já estão em cima da mesa, como as estações de dessalinização da água do mar
e transvasos de água oriunda de outras barragens. De qualquer forma, os níveis
piezometricos da maioria dos aquíferos do Algarve estão a recuperar havendo
locais onde há uma década a água encontrava-se a 100 metros de profundidade,
está agora a 3 metros da superfície, embora não apresente a qualidade desejável,
mas com tratamento nas ETAS (Estações de Tratamento de Águas) obtém-se a
qualidade desejada, embora acarrete custos mais elevados.
Por fim, houve uma sessão de perguntas e respostas, havendo muitas perguntas que os participantes queriam colocar às Águas do Algarve, mas que não puderam ser respondidas uma vez que o presidente desta empresa, apesar de ter sido convidado para o debate atempadamente, só a pouco mais de 48 horas do colóquio/debate é que comunicou à JSD/Algarve que não tinha possibilidade de estar presente, nem havia disponibilidade de ser representado por outro elemento da referida empresa. Como é obvio, esta posição causou alguma estranheza junto dos oradores e plateia, isto porque numa altura em que a gravidade da Seca no Algarve é evidente e que as Águas do Algarve estão a gastar milhares de euros numa campanha de esclarecimento e de sensibilização junto da população, para a necessidade de se poupar água, abdica de prestar esses esclarecimentos e efectuar essa sensibilização em locais próprios, como foi este colóquio/debate.